segunda-feira, 26 de abril de 2010

um dia inteiro

às quatro levantava, fazia a ablução, naturalmente.
às seis estava na rua Cheiro de Maria,
às oito colocava a última xícara na mesa
às dez tirava a mesa e, terminada esta sessão, dava banho nas louças
de Dona Vitória,
às doze horas a fome estava na mesa dos patrões
às quatorze a louça do almoço tomava um banho de carinho.

Teresa, às dezoito, estava no ponto, simulava, mentalmente, o amanhã.
às vinte horas estava a uma hora de casa.
No entanto, o ônibus quebrou!
o ônibus quebrou Teresa`
às vinte e duas estava no seu cemitério, sua cama de dormir,
cama de dormir com Pedro,
este roçava nela
e ela não o negava por inteiro,
colocava metade que era dele na metade que era dela.

Poemeto oxítono

Mãe, traz açaí do Pará!!

Poemeto erótico

Use a cabeça
para colocar
a camisinha.

Poemeto ao mano da periferia

Eu


estoU


tão



longe


da







Grande

CIDADE.

Poemento oximoro

Esta galinha é frígida!!

Poemeto de um fazendeiro infeliz

Um veado comeu minha galinha.

Poemeto a Descartes

Meta o seu discurso
no método da vida.

POEMETO DA FÉ

Agradeço a São José
pela sílaba tônica
perdida nessas linhas
insepa ra das.

POEMETO NASAL

NÃO PONHA A MÃO AÍ, NÃO!

Poemeto ideológico

um
Partido
Trabalha.

sábado, 24 de abril de 2010

fôlego

USE SOMENTE

O SOM QUE SAI

DO PULMÃO

RIMA SEM SOM

um dia,
meio-dia,
sapo pia,
minhoca
chia.

milho
poca
na rua
do meio-dia
pia
pia
poca.

rodovia

existe uma via
que se chama
ciclovia.