quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

aos medíocres

Faça-se ator do seu local de trabalho, um palco para todos os dias.
esteja sempre com a glória do infelizmente, corteja sempre
a besta do dinheiro de todos,
a mesquinhez da sua ignorância vadia emburrece a qualquer ser,
seja invejoso e more na vila das vilas de São Paulo.
Veja como ser inútil é ser bom é fazer um palco no sempre local de trabalho,
seja calhorda, ser exemplar é ser imoral.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

feira de domingo

um trocado
uma dúzia de ovos,
de banana,
de laranja,
um mamão,
um quilo de arroz
com feijão,
macarrão,
domingo é sempre dia de macarrão.

feira cheia, moleque que pega maçã
e corre e dribla os verdureiros e pega
mexerica e corre pra vida inteira,
correndo ao campo, correndo no campo,
descampado, ele sempre volta à feira
pra ver que fim levou.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

só camisa

menina tranquila

estrada da ternura

na estrada da ternura
todos são passivos,
bonzinhos,
mazinhos,
fulaninhos,

é sempre um caminho suave,
leve,
curto,
porém todas as coisas e objetos são
pessoas e máquinas,
quase sempre e sempre
são animais,
são domesticados,
ou viram máquinas em pessoas
e estas naquelas e vice-versa
para sempre um caminho tranquilo e truculento,
o que poderia e o que o é assim.
sonho e verdade
uma confusão de mau gosto,
uma utopia
uma falta de organização
uma falta de estado
uma falta de educação.

caminho curto tempo longo,
verdade.
estrada curta tempo longo,
verdade,
tranquilo e curto e vida e boa,
mentira,
vive-se dela para saciar todos,
objetos e coisas e pessoas,
todas no mesmo caminho
e na mesma ternura,
perdem por se odiar

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

paisagem suburbana

Diriam, perguntariam a mim.
o que é a vida, meu caro?
é um prato sujo, respoderia,
na viela fedida, fodida,
no rio empodrecido
amanhecido,
é um esgoto a céu aberto
esperando mais um transeunte morto,
podre e esquecido.
rio fétido, crépido,
estúpido.

um oceano de nojeiras,
coisas horríveis que se estapeiam
no final das tardes de domingo,
um tapa no bar, na entrada da casa,
na rotina de querer amar,
no sábado de jogo,
no colchão da vida

na rua, na esquina, na quitanda
e na calçada esguia.

tudo impuro, imperfeito, indigesto,
esse é o aceno para o que é a vida,
um buzão lotado,
amargo, vadio,
fedido e suado, naquele meio de tarde.
latida e miada,
qual piada nos tentará sorrir,
desfilar, convencer, irritar?

um dia a caminho da biblioteca,
mais uma vez o cartão de empréstimo
não funcionou.
o que faço, o que sou, o que são
as coisas e respostas para isso.

é o gato maltrato, odiado, envelhecido.
tudo isto uma sentença com ar
que cada leitura dá vira-se poesia,
melodia, ode, uma estrofe, um verso
totalmente perdido, iludido.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

saudades da mulher

ela deu nele um beijo de natal
diz que vai passear por uns dias,
mas a saudade já deixa rastro de torturas,
ficar longe dessa mulher é ruim, péssimo, ingrato.
às vezes me faz promessas secretas de amor,
jura-me fidelidade, é sincera quando "eu amo você".
sou, assim, amado e enlouqueço, endoideço, faço versos, choro de amor,
grito por ela, com ela, pra ela e, sem ela, chego a perder a voz,
as estribeiras, sou teimoso, mas paciência.

vou esperar esta mulher danada voltar, darei a ela todos os beijos,
jeitos de amar que aprende beijando, deixando sentir saudades, mantando-as quando volta, voltar, estar ao lado e sonhar, somente, só.

beijos, cortesmente.

mais um opção

Sustentável, o que quer dizer esse enigma? sociedade sustentável, manejo, forma, enforma, informa, povo, solidariedade, natureza, pressa, coletivo, transporte.
o que há? o que importa?
carro novo na porta, este conduz, dependendo do condutor, a caminho diversos,
diversas possibilidades de se viver.
como ser sustentável num planeta insustentável, a sustentabilidade não agrada a todos, não alcança todos, no meu Pedra Pequena eu não vejo meios de ser sustentável, tento, consigo, restrito, a mim e as minhas manias.
Tomar um ônibus no Pedra Pequena é insustentável, este insustento polui mais do que meu mais do que meu mais novo sustento, às vezes o sustento. Indo a este caminho, digo-lhes, no Pedra Pequena os horrores são os mesmos do século XVI, estupro, usurpação, estupro, ruas sem asfalto, ônibus que demora, emprego que se perde, perdemos, esgoto que não chega, prefeito que liga, desliga, desencana, van que leva criança à escola é a mesma que polui com sustentabilidade, sustenta a família do motorista, paga a vaidade deste e de seus membros.

Existem mecanismos de sustento? Temos aqui de inventar um mundo muito melhor, sempre melhor.

o que é sustentabilidade onde tudo está ruído, rui?!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

amorzinho


Meu amor, escute o triste fomento das coisas, lá fora.


Tudo se perde,

Tudo voa,

Esquece.

Some,

Não se esqueça que tomamos forma juntos,

Assim, sorridentes e tristes,

Somos mais para um

Num sempre bem comum,



Meu amor, não se esqueça do lustre,

Ilustres dores de nós mesmos,

Amor, esqueça os outros, as coisas alheias aos outros,

O que perdura numa conversa, num desvio dos outros são bobagens,

Outras coisas dos outros não nos metem em pecado.

O que perdura, meu amor, são os nossos votos,

naquela cama molhada,

Cheia de você e de mim,

Cheia de coisas nossas

Um bem estar comum a todos os dias nossos,



Na tua preocupação com aquele telefonema

Na tua diária negociação com os seus delírios,

Na tua rotina, eu sei que te amo.

Em versos tão frágeis e fortes e tristes,

Tão mais nossos

Do que nossos corpos.

Tão mais quentes e intensos do que nossos lábios,

Beijos, eu te amo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

buracos da periferia

mulher levando menino à escola,
homem levantando muro,
muro de casa, sempre nova,
nova construção, projeto que se constrói
na mente do dono, desmente na mente do pedreiro,
dinheiro pouco, pouco espaço.
fluidez no tráfego e no tráfico,
fumo, fumaça, bebida e cachaça,
crianças defumadas, mal-amadas,
desmamadas, cremadas na extinção do saber ser, existir,
crer que tudo isso, sim, existe.

mulher buscando menino na escola,
este correndo, vadio, criança,
atravessa correndo, mulher que grita com este.
motos que passam, passam, fio a fio, empinadas, esganadas, desgraçadas,
caos que vêm para estabelecer a ordem do barulho.
criança chorando, mulher no chão,
de casa.
homem voltando do muro, do boteco, bêbado,
criança dormindo, finjindo dormir, mulher apanhando na cama,
apanhando do ronco do homem, da estupidez deste, da ignorância deste,
choro no travesseiro, escorrendo lágrima no travesseiro,
mulher sonhando com vida melhor.
melhor vida, melhorar de vida. mulher vivida.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Dona Maria da Graça

  • Mulher, aposentada, honesta, moradora do Pedra Pequena, caminho dos Índios, teve de se ausentar do passeios noturnos, pois os vagalumes estão fugindo todas as noites, ela jura que pediu, ligou, solicitou à neta que escrevesse uma carta em letra de forma, legível, tangível, mas eles não ligaram, não falaram por meio de telefone com ela, nem escreveram em letra de forma legível, tangível. Ela acredita que sejam os trabalhos e moradores muitos. Ingênua, nua, seminua, algumas de suas amigas quase ficaram uns dias desses, nas caminhadas pelas ruas, ruas, cruas. Um homem, cheio de si, tentou seduzi-las com sua criatividade, brutalidade. Porém, uns rapazes que uns homens da lei tentaram matar deram um jeito de ajudá-las, agora as escoltam, felizes, elas, estão.
  • Porém, viu uns dias desses uns vagalumes rondando as ruas de manhã, acreditou que cortariam a energia de residências vizinhas, ficou quieta com medo de ser a sua. Mas o resultado da loteria não saiu e os bancos estão fechados, devem ser algumas inquietações de algum funcionário, por isso não abrem as agências há 16 dias, no entanto, os vagalumes, ilustrados na cor verde, se foram. Acreditou que alguém deu a chance para que vivessem umas noites mais.
  • By. Maria da Graça.

a mulher da rua dez

dona Selma espera que a prefeitura dê um jeito de atender o pedido para regularização e recapeamento da via onde se localiza sua residência. Embora a negligência faz-se presente na Zona Leste, talvez dona Selma aguardando mais um ano, tempo de eleição, consiga uma reurbanização decente.
O pleito está no peito do prefeito, daqui seis meses veremos máquinas e faixas com os dizeres, seguintes dizeres reformamos e readequamos para melhor servi-los.
Prefeitura de São Paulo, com vocês.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

uns dias

em todos os dias,
um vendaval para cada dia.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

um olhar sobre os dias

nosso pensamento voltado aos dias,
todos eles.
temos de ser fortes,
longes, bravos,
não agradamos as coisas
nem as pessoas,
nem ela a nós,
temos um inimigo,
o invisível ser pensamente
que destrói a nós mesmos.

Seguimos os caminhos que nos enlouquece,
as coisas entortam nossas cabeças,
machucam nossos pensamentos,
e somos tidos como traíras, traidores,
mas não o somos, poxa,

Que culpa temos se só agora tivemos
acesso às coisas, aos humanos, se todo esse tempo
sempre fomos acorrentados às circunstâncias, ainda estamos,
porém tem um ar novo, tem um ar de vitória,
de cansaço, de choro, de agonia,
e um coração que permanece humilde,
ele enlouquece de verdade.

Ele consegue ver ainda que um homem lá na Rua,
rasgado nosso coração,
comia uma sacola com os dedos,
e mastigava os detritos lá encontrados
com os dentes.

Isso é o medo,
o futuro nos dá medo
diante estas coisas,
tudo tão marginal,
saímos à tarde para a refeição.
e um homem, ali perto, rasga uma
sacola com os dentes
e mata nosso coração,

Isso é muito para se ver
não queremos mais ver
isso foi longe,
essa miséria de coisas
sem fim.
Tudo terminando tudo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A menina da sala

Chegava cedo, não muito. Viera da casa, às vezes, do ficante. Postava a dar um bom-dia a quem conhecesse do local de trabalho. Raro hoje em dia. Colocava à portaria. O portão já estava aberto à espera do demais. Prestava ao homenagear o homem com um bom-dia, repetida vezes dizia este texto incrível, bom-dia, de vez em quando levava até à boca um "como vai você?", "está bem?", com alguns perguntava intimamente, de outros um olhar cabisbaixo retratava o seu sentimento para com estes.
Assim, mantinha-se sempre esquivada das coisas, dos objetos do homem e deste. Não se sabe sobre seu namorado, não se via aliança nela. Haveria, somente, o amante. Ele dava conta do que um suposto namorado tentaria em dar.
Obedecera, como sempre e acompanhada das demais, o padrão estético, muitas vezes gracioso outras vezes elevara o tom erotizante tímido, nada muito vulgar, mas que pudesse sensibilizar os homens.
Atraente, um metro e sessenta e sete, bem vestida, arrumava-se com destreza, de modo a estabelcer ligações com ego feminino.
Mas essas coisas acontecem com o ego de todas as classes sexuais. Embora, possa ser discutidas as relações, elas existem sob diversas formas.
Raiava o dia entre saídas e entradas na sala, deparava-se sempre com atitudes alheias às suas, gostava de alguns, outras permancia distante, tentando evitar maiores proximidades, não se permitia, não permitia ao outros, muito menos aos homens.
Haveria de estar isoladas, insulada na própria existência dos dias frios?
Descruzavam-se as pernas, pega-se o caminho, antes, um até amanhã.

domingo, 31 de julho de 2011

Correria

Moto, uma passa ensurdencendo-nos,
um carro parece vir lá de baixo, estridente,
seu som nos interrompe, nos irrita,
nos faz mais desgraçados do que somos.

a velocidade da juventude intriga-nos,
aborrece-nos, deixa-nos menos paciente
das coisas.
Aqui, nebuloso, descaso, casamento e agregado,
são tão comum a nós.

Tudo crescido sem pavimento,
cresce desesperadamente,
desordenamente.
Sem sentido de sentimento,
sem mente que se force a pensar.

O que nos resta está numa garagem, feito agora,
que virou mercearia.
Na cerveja no copo plástico
que esquenta a gente,
a cabeça
e a vadiagem.

A velocidade preocupa-nos,
ocupa-nos nas noites, todas as noites.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

escritas secretas

E daí, se o contexto liguístico
evoca conchavos com as letras,
é dele esta parte devida,
cabe, somente, a nós,
esta divisão fortemente temida.
coisas pensantes, como nós,
a insistência em dar magia,

a repaginar os momentos,
a tatear as circunstâncias,
a imaginar tantas impossibilidades.
São esferas do linguístico que não acabam.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Frio em São Paulo

pessoas, palavras rabiscam esta manhã,
cabelos pintados, comentários soltos,
tudo igual e desmedido,
sem medida.

a volta ao trabalho de todos os dias,
um dia, cansaço e maresia.
extasiado e sem poesia.
soma de todas as coisas
empobrecidas, sem riqueza
alguma que as carregue.

tudo murcho e cinza,
diletante e dilatado,
morto ou cremado,
para tudo tem-se um fim.
atento e atentado,
morto ou acabdo.

neste dia, tudo muito
mudo mundo alienado,
outros seguem a rima do que
coordena o mudo,
sintonia que enlouquece tudo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Alguém que mora no Belém

Alguém





Olha:


De tudo que vejo me fica um


Fragmento.


Mulher no portão,


Chave nele,


Homem no asfalto


Este moço no ponto


De ônibus.


Ônibus parando,


Homem na catraca,


Viagem longa


Sono que vem


Homem dormindo


Estação que chega pra acabar com um poema.

Manhã

Diante este dia, algumas coisas tão numerosas, pessoas e coisas,


Estalidos, beijos estalados, lados,


Velhos empurrões, costumeiros diante esta manhã.



Numerosidade no espaço,


Mas o há?


Não tem validade coisas neste lugar?


E uma mulher olha um homem.


Resignada, odeia-o com o braço, com a bolsa, com o ombro.



Nesta manhã, tanta coisa.


Tanto problema e, no entanto, aquela continua manhã,


que sempre, pra mim, com pouco espaço e pouco tempo.


Tempo?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ideia no quintal

nenhuma ideia vem aqui
beliscar esse pensamento.

nenhum sorriso pronto,
nada.

tudo mesmo, morno mesmo.
nenhuma paciência,
nem mesmo a da consciência.

o que fica exasperada
são somente as palavras
que seguem,
num modo
estrutural,
a mesma maneira;

substantivo,
antes um artigo,
para deixar o sujeito ainda
mais do que vivo,
tudo depois,
tudo predicado,
estrutura.

tudo isso,
tudo o que estava sem ideia,
inicia de uma mesma
coisa.
Tudo estrutura
para andar com o
pensamento
urbano,
Humano.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tudo fugindo

E as medidas que voam,


que voam,


que fogem,


que saem tanto do controle.






Tais coisas,


tais medidas,


tais dores,


não têm nome,


não têm sobrenome,


não têm pagamento,


não têm um estabelecimento fixo,


não têm uma coisa que a resume,


não têm nada que presume tudo isso,




o que se vê,


o que se tem,


o que se tem,


o que se há


é o caminho que se segue,


é um caminho que virá,


E o caminho que virá


é sempre um acontecimento,


do modo,


da maneira de como a gente está.

domingo, 22 de maio de 2011

Ritual

Peço-lhe um pouco de paciência.
peço-lhe licença, meu senhor.
Sobretudo compaixão.
misericórdia é tudo que peço, imploro.

Senhor, agora, há algo contraditório em tudo que peço,
no que recebo não vejo graça.
Se moro longe, tenho de caminhar por horas,
se espero pelo ônibus, se espero pela demora deste,
se com ele me descabelo, brigo, antes xingo, quero descontar
minha fortuna de animal em alguém.
Se esse alguém quer do mesmo modo desferir em mim o que
tenho por ele. Não o sendo culpado. Nem eu nem ele.

O que tenho a lhe dizer cabe na palma do meu sofrimento.
Este a cada dia mais jovial e eu com meu corpo nele
a cada segundo mais envelhecido, esquecido.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

loucos somos muitos

A estrada dividida desse tédio.
Poste, ponte, viaduto algum que não me segure
nem se encarregue de caminho trazer a mim.

Parado, intacto no meio à evasão.
Divisas, coisas que passam por aqui e por nós.
Louco detento sentimentos, expondo frases,
compelindo amigos, tentando fragmentar ideias.

Porém, não se ilude. Faz do contrário o mais
óbvio para si, que não é estar contra
àqueles que contra estão indo.

Vai mesmo ao infalível mistério
de sortear o que com uma palavra
pode ser remetida por um não.
Quando este pode ainda ser evitado.
Não o evitaram de questionar e contraído
e contrariado respondeu. Não posso.

Por hoje, não. Por amanhã também, não.
A diferença que se estabelece é que existe
realmente coisas e formas diferentes.
Sendo elas assim,, faz-se necessário cada qual
ter uma forma e pensamento. Modo qualquer
que carregue sujeito algum a lugar.

Norte, sorte e consorte.
Talvez reza não seja tão louco quanto
parece.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O processo

Na cidade de São Paulo. Um homem dorme na rua. Uma criança na calçada chora ininterruptamente, a mãe lhe desfere tapas. E, no ponto, muita gente aflita se estressa com a demora do ônibus. Muitos esperam. Muitos recorrem ao relógio.
Porém, o motivo do descaso chega. A cena de abandono é visível. Pouco se faz para o maior colégio eleitoral. Pouco se vê algo sendo feito. Muitos motivos para se fazer a revolução por meio deste caos.
Neste maior cartório eleitoral, os nordestinos fazem a cena, a chance; são, portanto, a maioria. São castigados como maioria.
Retrato irresistível para futuro votos. Precariedades e mentiras. Má-educação, má-vontade, desgraçada sorte. Certeza de não tê-la.
Com isso, mal sabem que Anchieta iniciou educando São Paulo, pelos Guaianazes. Ele foi ao centro. Mas este não veio até ele.
.................

quarta-feira, 20 de abril de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Poema de amor

Hoje não há secura que me carregue. Estou banhado pelos seus olhos, longes, pertos, estão tão próximos em meus pensamentos que neles posso tocar. Agora, aproximo-me do seu corpo, procuro tocá-lo, chego mais perto, parece me fugir, quando você, enfim, me desperta. Neste instante, vejo os seus pés, parecem estar a caminho das minhas mãos, eles me fogem, também, porém consigo detê-los em braços fortes, prendo-os com força que não possuo. E neles ganho força perdendo o medo de você partir. Agora, você me aparece, toco-lhe com o meu pensamento toda a sua existência, vivo sentido-a. Assim, você está muito mais em mim, no pensamento, no pensamento.

Introdução ao poema do amor

Às vezes falar de amor torna-se tão subjetivo e tão.... que se faz necessário falar do nosso... do seu. Tenho vivido as asperezas das coisas e torno-me aqui para falar dele, o que se torna necessário para o sonho.

sábado, 5 de março de 2011

o pagamento

um boleto,
o dinheiro na conta,
no bolsa,
na bolsa,
ousa a perturbar
a memória paciente
do cliente incontente
com o destino
displicente do obsoleto,
advogado.
Dado a certas coisas, que coisa!
na tarifa perde-se a memória,
perde-se tempo,
na disputa judiciária
a lei mantém vivo
aquele que se

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

literatura da rua

hoje não tem escola
não tem aula vaga
professor substituto
nem prostituta na sala

foram, todos, dispensados
uns sem mãe, pai preso
sem família
sem bolsa
sem bolso na calça

moram distantes do centro
estão na rua, lá fora
dispensados pela diretora
que por ora
não se compromete
não se intromete
não mete
e não chora.

Estão no asfalto,
sem livro algum que os carregue
durante a vida,
sem metáfora pela manhã,
engravidando-se no ócio da tarde.

Estão sendo sujados
estão excluídos,
são submanos,
são humanos
e não veem ninguém.
nem mãe nem pai
nem metas.

meninos aqui

os daqui são mais sabidos,
são mais meninos,
são crianças em gênero
em número,
só desconhecem o grau,
o escolar
estão abandonados,
excluídos,
execrados,
fodidos,

Eles jogam bola,
quando esta, por ventura do tempo e desgaste, estoura,
coloca nela uma inferior, uma tido por bexiga.
O capotão estourou.
Porém, não finda a vida alegre.
Tem a de gude, que é a de vidro.
Bem menor e num triângulo e uma linha distante de dois metros
faz-se a brincadeira necessária alimentar o desejo, anseio.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

comunicar

João fodido
fedido
ferido
quer dizer ao mundo
que está sem braço,
sem laço,
sem nada.

Continua morador,
Ele espera não perder no próximo
com o suor noturno e do trem
a outra parte de seu corpo.

Diz que agora pretende sonhar.
Quer construir um dia melhor que outro.

Segundo ele, o melhor é pensar no que comer daqui meia hora.`
À noite, meia dose de cachaça, é o que resta, é o que há.

sábado, 29 de janeiro de 2011

o meu mundo

Mundo, você não é vasto.
sempre me foi pasto de tudo
do meu sofrimento
da minha crise
comigo mesmo.

Mundo, você é meu território,
mas o é só pra mim?
Não me engane,
conheço-o há anos.
conheço-o desde 1986.

Você, mundo, sempre me pareceu aqui.
Nesta zona, neste campo fedido, neste espaço geometricamente
marcado por descasos.
Você, mundo, não foi nunca meu senhor.
nunca o será,

Porque meu senhor sempre foi meu pensamento,
e com este perco noites, bebo demais, chego tarde em casa,
brigo com a namorada,
deixo de ver pessoas, amigos, deixo até de passar mal no trem
só para ficar com ele em meus sentimentos das noites perdidas
em São Paulo.
Porém, mundo; voltando a você.

Fico com o meu descontentamento, com a minha infelicidade,

angústia e declaração de pesar.
Fico, portanto, somente aqui, pois aqui foi o lugar onde nasci;
Mundo, deixe-me alternar e consternar mais alguns verbetes engasgados,
salientados noutrora.
Deixe-me dizer coisas a mais, contar da minha infância,
das escolas por onde passei, o que disseram os professores,
as pessoas que laboravam naquele cant0, com aqueles instrumentos.
Insisto, não me pertube mais com essas histórias.
Agora quero contar a minha.
As razões que me fizeram ainda mais presente aqui.
Vamos lá, vou continuar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Bosque perdido

um pássaro voa solitário no bosque perdido
fedido, voa sem rumo,
sozinho.

um pássaro ultrapassa a floresta seca
sem cor
sem tom
sem sombra.

Ele está sobrevoando o nada
nada
nada.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

troca de ideias

fazendo esse riso
no rio de todos os dias,
banhando esta face,
na rua lá fora,
contando gotas
chorando lágrimas
em face a esse desejo.
o que deseja?

fazer-se rir assim?
pra sempre?
reinventar os modos
ter com que ir
todo o dia
o dia inteiro,
ainda há o dia maduro pra sorrir?
compreende?
tudo no tato
de todos os olhos,
de todos os mundos,
neste famigerado dia,
todos os dias, reinventado.
Sempre

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

na trilha do trilho

o trem que treme no trilho
não tilha no truque
de permanecer no batuque.

o trem que trilha descarrila
na fila do fim do dia,
não batuca,
não dança,
não cutuca.

trem que treme na fila do fim do dia,
descarrila,
descarrila,
descaminha.

domingo, 16 de janeiro de 2011

PERIFOLOGIA

Ontem falaram mal daqui.
Disseram deste lugar.
Mal chegaram e meteram-se a tagarelar.
Aqui, sei, um inferno dos descasos.
Um abuso de nós mesmos.
Porém mesmos nós,
nós sempre diferente de nós mesmos.

Ontem disseram de nós,
provocaram-nos.
Excomungaram-nos,
Ontem o desprezo se verteu nos olhares.
Nós distantes e tão pertos e sós.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Por uma linguagem

A linguagem escorre mansa na periferia dos mortos.
Escorre lenta, mórbida, torta e sem rumo.

passagem

volto constantemente aos mesmos dias
fragmentos da vida
encontram-se perdidos
nas estações e caminhos por onde percorro.

volto todos os dias dos mesmos dias
das mesmas vidas
dos mesmos pesadelos,

insisto, por um instante, não querê-los.
porém, estou novamente aberto aos mesmos
dias, isso inspira uma fábrica de monotonia,
de absurdos gestos das coisas de sempre.

É então sempre a mesma agonia.

De dia água fria
de noite, noite fria.