quarta-feira, 19 de maio de 2010

Prateleira de ideias.

hoje a prateleira quebrou,
as ideias estão no chão,
as letras, avoadas, correm soltas
neste piso frio.

João disse-me coisas a respeito de sua família,
pôs-se de forma delirante seu discurso,
relatou-me o sofrimento vivido em sua terra natal.
Homem bom, pensei!
Tomei a estória de prateleira quebrada, porque algo
me fez lembrar uma prateleira quebrada, ideias ao chão.

A história de João remeteu-me à miha infância,
ele dizia exatamente as coisas que aconteceram,
que nos devoram. Disse. Parafraseou um trovador, um repentista,
um sonhador. Os versos rimavam-se. Incrível, pensei.

A meninice de João sendo contada em versos, em que as rimas
eram alternadas. Ricas ora. Pobre a vida inteira.
A prateleira foi quebrada. João não pode ordenar suas canções feitas outrora, ele foi molestado
pelo ódio. João foi usurpado. Ele disse que, certa vez, desejou morrer. Falou que não guarda mágoas. Porém, hoje, insiste em reconstruir sua prateleira, colocar nesta todas as suas ideias.
Este moço, João, quer dizer ao mundo. João quer escrever.