quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

literatura da rua

hoje não tem escola
não tem aula vaga
professor substituto
nem prostituta na sala

foram, todos, dispensados
uns sem mãe, pai preso
sem família
sem bolsa
sem bolso na calça

moram distantes do centro
estão na rua, lá fora
dispensados pela diretora
que por ora
não se compromete
não se intromete
não mete
e não chora.

Estão no asfalto,
sem livro algum que os carregue
durante a vida,
sem metáfora pela manhã,
engravidando-se no ócio da tarde.

Estão sendo sujados
estão excluídos,
são submanos,
são humanos
e não veem ninguém.
nem mãe nem pai
nem metas.

meninos aqui

os daqui são mais sabidos,
são mais meninos,
são crianças em gênero
em número,
só desconhecem o grau,
o escolar
estão abandonados,
excluídos,
execrados,
fodidos,

Eles jogam bola,
quando esta, por ventura do tempo e desgaste, estoura,
coloca nela uma inferior, uma tido por bexiga.
O capotão estourou.
Porém, não finda a vida alegre.
Tem a de gude, que é a de vidro.
Bem menor e num triângulo e uma linha distante de dois metros
faz-se a brincadeira necessária alimentar o desejo, anseio.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

comunicar

João fodido
fedido
ferido
quer dizer ao mundo
que está sem braço,
sem laço,
sem nada.

Continua morador,
Ele espera não perder no próximo
com o suor noturno e do trem
a outra parte de seu corpo.

Diz que agora pretende sonhar.
Quer construir um dia melhor que outro.

Segundo ele, o melhor é pensar no que comer daqui meia hora.`
À noite, meia dose de cachaça, é o que resta, é o que há.