domingo, 31 de julho de 2011

Correria

Moto, uma passa ensurdencendo-nos,
um carro parece vir lá de baixo, estridente,
seu som nos interrompe, nos irrita,
nos faz mais desgraçados do que somos.

a velocidade da juventude intriga-nos,
aborrece-nos, deixa-nos menos paciente
das coisas.
Aqui, nebuloso, descaso, casamento e agregado,
são tão comum a nós.

Tudo crescido sem pavimento,
cresce desesperadamente,
desordenamente.
Sem sentido de sentimento,
sem mente que se force a pensar.

O que nos resta está numa garagem, feito agora,
que virou mercearia.
Na cerveja no copo plástico
que esquenta a gente,
a cabeça
e a vadiagem.

A velocidade preocupa-nos,
ocupa-nos nas noites, todas as noites.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

escritas secretas

E daí, se o contexto liguístico
evoca conchavos com as letras,
é dele esta parte devida,
cabe, somente, a nós,
esta divisão fortemente temida.
coisas pensantes, como nós,
a insistência em dar magia,

a repaginar os momentos,
a tatear as circunstâncias,
a imaginar tantas impossibilidades.
São esferas do linguístico que não acabam.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Frio em São Paulo

pessoas, palavras rabiscam esta manhã,
cabelos pintados, comentários soltos,
tudo igual e desmedido,
sem medida.

a volta ao trabalho de todos os dias,
um dia, cansaço e maresia.
extasiado e sem poesia.
soma de todas as coisas
empobrecidas, sem riqueza
alguma que as carregue.

tudo murcho e cinza,
diletante e dilatado,
morto ou cremado,
para tudo tem-se um fim.
atento e atentado,
morto ou acabdo.

neste dia, tudo muito
mudo mundo alienado,
outros seguem a rima do que
coordena o mudo,
sintonia que enlouquece tudo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Alguém que mora no Belém

Alguém





Olha:


De tudo que vejo me fica um


Fragmento.


Mulher no portão,


Chave nele,


Homem no asfalto


Este moço no ponto


De ônibus.


Ônibus parando,


Homem na catraca,


Viagem longa


Sono que vem


Homem dormindo


Estação que chega pra acabar com um poema.

Manhã

Diante este dia, algumas coisas tão numerosas, pessoas e coisas,


Estalidos, beijos estalados, lados,


Velhos empurrões, costumeiros diante esta manhã.



Numerosidade no espaço,


Mas o há?


Não tem validade coisas neste lugar?


E uma mulher olha um homem.


Resignada, odeia-o com o braço, com a bolsa, com o ombro.



Nesta manhã, tanta coisa.


Tanto problema e, no entanto, aquela continua manhã,


que sempre, pra mim, com pouco espaço e pouco tempo.


Tempo?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ideia no quintal

nenhuma ideia vem aqui
beliscar esse pensamento.

nenhum sorriso pronto,
nada.

tudo mesmo, morno mesmo.
nenhuma paciência,
nem mesmo a da consciência.

o que fica exasperada
são somente as palavras
que seguem,
num modo
estrutural,
a mesma maneira;

substantivo,
antes um artigo,
para deixar o sujeito ainda
mais do que vivo,
tudo depois,
tudo predicado,
estrutura.

tudo isso,
tudo o que estava sem ideia,
inicia de uma mesma
coisa.
Tudo estrutura
para andar com o
pensamento
urbano,
Humano.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tudo fugindo

E as medidas que voam,


que voam,


que fogem,


que saem tanto do controle.






Tais coisas,


tais medidas,


tais dores,


não têm nome,


não têm sobrenome,


não têm pagamento,


não têm um estabelecimento fixo,


não têm uma coisa que a resume,


não têm nada que presume tudo isso,




o que se vê,


o que se tem,


o que se tem,


o que se há


é o caminho que se segue,


é um caminho que virá,


E o caminho que virá


é sempre um acontecimento,


do modo,


da maneira de como a gente está.