Identidades de nossas aparências,
Frequências sonoras,
Sonoras questões de nós,
Às vezes visual,
Possível de se imaginar, ver, presenciar,
Constituição infalível de coisas que se acumulam,
que enchem, que não transbordam, mas enlouquecem.
As inquietudes dos momentos,
Uns aflitos e inseguros,
Outros inexistentes para o mundo
E tão vivo em nós,
Elas estão em casa, na mesa de escrever, no banho,
No fazer a barba,
Salientar o rosto de que este está molhado,
Elas estão, no transporte, no coletivo, no carro,
Na mulher que pede um trocado na rua,
no ônibus, na feira, na esquina da praça da Sé,
no Jardim Nazaré,
E o nosso corpo, nesse sentido, é matéria delimitada de existir,
Ele acaba sempre e nele sempre acabamos,
Queremos empreender-lhe limites,
Resistir, figurar entre os mais fortes, porém,
Impomos-lhe a morte e, assim, morremos, então.
Deixamos de existir, portanto, todos os dias.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
estritamente inasfaltado
um trevo
uma viela
um beco
uma ruela,
estando em São Paulo.
estando no sertão da Bahia,
sinto-me mais nobre
sendo baiano, menos paulista
e mais enganado
danado lugar.
um trevo
de quatro folhas,
uma viela, bala na veia arterial,
um beco de cigarro, uma ponta que se queima
um cheiro que me nefasta,
uma ruela, uma bicicleta,
um ônibus, um carro, mais um validado
na vala, no vale, na vila, no Jardim.
Isso é Brasil que se faz,
sendo um país, um comédia vendida de graça
às traças, sendo plural é mais demoníaco
que o inferno astral.
De São Paulo à Bahia um tortuoso cinema de mortos,
de vivos estando mortos, de mortes à beira do volante.
estando a caminho de São Paulo me sinto mais morto da vida,
a caminho da Bahia mais vivo na morte da sede de todos os dias.
O recapeamento da via que me leva a verdadeira se dá sempre
assim, nesta palavra asfaltada, penetrável no seu encaixe que
se fazem sentidos, essa é a vida do asfalto que conduz
que guia e se faz destino, palavra leva ao asfalto
à condução dos sentidos cabíveis e não nefastos.
uma viela
um beco
uma ruela,
estando em São Paulo.
estando no sertão da Bahia,
sinto-me mais nobre
sendo baiano, menos paulista
e mais enganado
danado lugar.
um trevo
de quatro folhas,
uma viela, bala na veia arterial,
um beco de cigarro, uma ponta que se queima
um cheiro que me nefasta,
uma ruela, uma bicicleta,
um ônibus, um carro, mais um validado
na vala, no vale, na vila, no Jardim.
Isso é Brasil que se faz,
sendo um país, um comédia vendida de graça
às traças, sendo plural é mais demoníaco
que o inferno astral.
De São Paulo à Bahia um tortuoso cinema de mortos,
de vivos estando mortos, de mortes à beira do volante.
estando a caminho de São Paulo me sinto mais morto da vida,
a caminho da Bahia mais vivo na morte da sede de todos os dias.
O recapeamento da via que me leva a verdadeira se dá sempre
assim, nesta palavra asfaltada, penetrável no seu encaixe que
se fazem sentidos, essa é a vida do asfalto que conduz
que guia e se faz destino, palavra leva ao asfalto
à condução dos sentidos cabíveis e não nefastos.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
o cotovelo do rapaz
- moço, por favor, não me toque.
- deixe-me somente mostrar o meu cotovelo, ele está machucado, dói quando lhe é tocado,
veja-o como está inchado, dolorido, agoniado e enfermo, toque-o, sinta-o.
- nossa, moço! como ele está repleto de inchaço, dolorido, entornado e medonho.
- deixe-me somente mostrar o meu cotovelo, ele está machucado, dói quando lhe é tocado,
veja-o como está inchado, dolorido, agoniado e enfermo, toque-o, sinta-o.
- nossa, moço! como ele está repleto de inchaço, dolorido, entornado e medonho.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
um lugar
água salgada
velho na calçada,
na sala, esperando
transeunte a cavalo, a pé
ou montado em carro.
homem de idade avançada
vendo o futuro o cegar pela
madrugada quieta dos satélites
sonâmbulos pela poeira inquieta.
lugar refinado, mulher nobre enterrada
elevada à condição do sempre existir,
homem espreitando a vida de manhã, à tarde e pela
vida toda.
menina olhando moço jovem
montando a cavalo,
vendo-o simples na sua pequeneza de existir
no semiárido sertão do sem água.
dos sem luz
dos postes que não iluminam, nem guiam,
dos fios que desfiam a vida toda
a todo custo, ao custo do moço, da moça, do homem, da nobre senhora.
este é sempre o lugar,
é sempre o sertão,
algo esquecido na existência pluvial.
velho na calçada,
na sala, esperando
transeunte a cavalo, a pé
ou montado em carro.
homem de idade avançada
vendo o futuro o cegar pela
madrugada quieta dos satélites
sonâmbulos pela poeira inquieta.
lugar refinado, mulher nobre enterrada
elevada à condição do sempre existir,
homem espreitando a vida de manhã, à tarde e pela
vida toda.
menina olhando moço jovem
montando a cavalo,
vendo-o simples na sua pequeneza de existir
no semiárido sertão do sem água.
dos sem luz
dos postes que não iluminam, nem guiam,
dos fios que desfiam a vida toda
a todo custo, ao custo do moço, da moça, do homem, da nobre senhora.
este é sempre o lugar,
é sempre o sertão,
algo esquecido na existência pluvial.
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