quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Rosa no meu jardim

Anões anais bucais
Flores feras banais,
quero carne
tenho saudade
daquela mulher.
Gosto de fruta
é uma açúcar,
às vezes meio saidinha
me dá uma chupadinha,
dá uma de Maria
e sempre diz que me quer.
Assanhada acanhada
vai vem da estrada
mas sempre hei de querer
essa danada.
Danado, o meu legado
de marido que fode essa mulher.
Erótico, não vazio
eu não finjo por ela.
Levo-a na mão, no caminhão,
até na condução.

Poemeto a uma cerveja que não muda

Tu és original

Homens na fome

Em frente ao mundo
mora mudo João
bardudo.
Quieto, sempre assim,
ferida na mão
mijado até o pé.
Residente da mesma calçada.
Ele se comporta sentado.
Sempre calado
com ferida na mão e no pé.
João fedido fodido ferido.
Em frente ao
fórum
enfrenta o quórum
de um absurdo
chamado de qualquer.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O país do natal

Minha pátria sem perfume
sem lume
na cama do hospital.

Minha pátria é esta canção perdida
na partida de todas as canções.

Minha pátria é um copo vazio
um corpo parido
neste lixão.

Minha pátria é, ao mesmo tempo,
uma coca-cola desgraçada, um arroz com feijão e, no domingo,
é isso, é o macarrão.

Minha pátria parece perdida,
ofuscada em meio à globalização.

Minha pátria é um tradução desigual
de outras traduções notadamente desiguais.

Minha pátria, morro contigo todos os dias
nesses enganos
nesses caminhos
nesses estar sozinhos,
que é seguir com a multidão.

Minha pátria, salvo engano
esta é minha canção.

domingo, 21 de novembro de 2010

a estação dos animais

Vi uns animais ontem andando a umas estações,
estavam doidos, até se batiam, deviam de estar loucos,
pertubados em chegar cedo ao pasto.
Tinha até um pastor bem-vestido.
Pregava em alto tom, encochava as pessoas contra os trilhos e Deus.
Ele pregava Deus no inferno. Ele diz que vai gozar do Céu de Deus.
Porém estava sendo gozado no inferno de Deus.
Ele era gozado por outros animais.
Animais de Deus. Animais de Deus que não ouviam, só engordavam, não criam. Nem enxergavam, nem Deus.

Poemeto à Teresa sensual

Foi à feira.
Disse ao homem da banana.
Meia dúzia, moço, por favor.
só meia, respondeu ele.
Por enquanto, só, moço, tenho de comprar ainda mandiocas.
Respondeu o homem novamente, sei onde tem umas bem baratinhas e graúdas.
Não, moço, eu já compro do Ignácio. Ele tem umas bem fresquinhas, brigada.
Não há de quê, dona.

alternativa

não tenho seguidores neste caminho,
este destino é sempre a detenção de minhas ideias,
quanto mais ideias mais loucuras cometo na estrada, esta via da vida.
estes dias da direção incerta com pensamento certo em tornar tudo mais vivível.
exploro-me sempre diante destes aspectos.
Porém, a saída encontra-se perdida em sempre procurar coisas a substituir outras.
Como a desigualdade de procurar ser diferente das outras desigualdades.
Notavelvemente se vê um mundo de alternativas, quase sempre, impostas.

domingo, 14 de novembro de 2010

I Homem no trabalho

Hoje, vive, aqui, neste lugar. Nesta ideia marcada, chamada de espaço geográfico. Mora aqui. Na leste. Certo dia, ele, Romeu, foi a uma entrevista de emprego. Lá chegando, deu um bom dia, com hálito amargo, à recepcionista. Ela, loira e fúnebre, olhava-o com certo preconceito burguês, funesto e pálido. Esta disse a ele, rispidamente.

– RG, por favor.

Atento às atenções, entregou-lha o documento previsto na lei dos “cidadãos”. Em seguida, ouviu uma grossa voz lhe dizendo.

– Aguarde um instante que você será atendido.

Aguardou dois minutos. Cinco. Quinze. Vinte e cinco. Quarenta minutos já se arrastavam na paciência dele. E os candidatos atrasados irritavam-no de uma maneira estonteante. Este mais bem perfumado que aqueloutro. Mulheres. Muitas. Ficou constrangido. Pôs-se a tremer as mãos e arranhar os dentes estragados, causando-lhe maior afliação. Aos quarenta e cinco minutos da espera tenebrosa, chega Juliana. Psicóloga, formada, entrevistadora e pesquisadora de olhar. A inquirente deu um bom dia. Pediu que a acompanhassem. Ele, isento de qualquer modo e crítica possível, deixou as moças irem à frente. Entrou no elevador. Uma vaga. Dez candidatos e um psicóloga. Nove mulheres. Ele e a oportunidade. O emprego e o desemprego. Calculou os cheiros, os sorrisos, as cara feias, emburradas e arrogantes. Satisfez-se de duas, as outras eram deploráveis, obsoletas, funestas. Romeu, fechado em si, engolia a saliva fria e seca. A têmpora, enrugada, pedia calma. Chegaram à sala. Todos se olhavam, se fritavam, se amavam e odiavam. Não deixavam, por mínimo que fosse, transparecer essa ridícula impressão. A mulher da entrevista brincou com a presença masculina naquele universo insólito e sem humor. Todos riram. Ele fingiu rir. Rangeu os dentes. Conteve-se por conhecê-los de outrora.

– Deixam -me apresentar, sou Juliana, tenho 27 anos, casada, não tenho filhos e trabalho aqui há dois anos. Nas horas vagas gosto de sair, correr no parque e ler. Estou lendo Marguerite Duras, uma escritora francesa, O Amante. Vamos começar, disse a moça.

– Peço, agora, que cada um se apresente.

– Por mim, ergueu o braço a primeira das nove. Érica, sou formada em publicidade, gosto de animais, não sou casada, gosto de sair com meus amigos, estou lendo...... um livro do Olivetto.

Eu, Doralice, tenho 23 anos, sou formada em Letras pela universidade do Brasil, solteira, moro sozinha com meus LP's, alguns do Chico, que gosto. No momento, leio dois livros. Um a respeito da criação verbal dentro dos romances tido como psicológicos e o outro é uma biografia do poeta Thiago de Melo. Marina, fiz jornalismo com ênfase em marketing publicitário.

– Tenho dois filhos, viúva, gosto de cuidar dos meus filhos, ler jornais e revistas da área de marketing, acho que só.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Na vila do Anchieta

E aí, veio, como tá muleque?
é nóis irmão...
como tá lá quebrada?
tá bem, mano!
bem mesmo.

As mina tá dando um trampo.
Sério?
sério, muleque.
arrumaram lá no Brás.
Numa loja dum japonês
Foi a Lú que arrumou.
Firmeza ela, hein mano.

Mas aí maninho, manda lembrança
lá pros caras.

desço lá esses dias aí.
vou ali resolver uns beó, depois tem
que levar uns baguí do meu irmão.

Tão tá, mano.
tá com nóis, o que precisá tamo aí, meu.

abraço.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cinderela

Hoje te encontro no meu sonho
sonho contigo
te ligo
lá do mar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

País de então

Que loucuras mil
vai salvar a nação
vai ganhar um pão
vendendo limão
vai faltar o sabão
pro governo não.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

II meus 15 anos

Ontem, conversei com, o Roberto, um menino lá da classe. Este me disse coisas horripilantes a respeito das revistinhas que ando comprando. Disse-me, de modo mais ríspido, que acha essas meninas muito infantis; "essas" ele se referia às que compram certas revistas. Diss-me, ainda, que o mais ideal seria ler um estória que refletisse o meu tempo, a minha. Porém, para isso, alertado por ele, será necessário rastrear tal historietas no tempo. Para ele, analisá-las enriqueceria muito o que tenho pelo outro. Pela minha mais nova paixãozinha.
Não sei, estou tão incerteza que hoje escrevi no meu diário, só para me encorajar, uma séries de pequenos momentos em que eu encontrar o menino dos óculos com um livro e me dizendo, como ele sempre diz, "Doce fogo do amor/ como me queimas/ e me fazes arder por entre neves". Percebi, no entanto, muito melosos estes versos. Decidi, então, por ficar com estes. "o mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar/ o mar é grande e cabe na cama e no colçhão de amar./ o amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." Lembro, agora, que Drummon citado pelo Roberto ficaria bem. Este sonho não acabou.

I meus 15 anos

Eu devia ter me lembrado. Eu sempre acho essas coisas do mundo. Eh, ele é legal. Me deu o telefone dele, talvez eu o ache no orkut. A Paulinha me disse que ele beija bem, mas não sei, minha mãe pode não o achar atraente. Sei lá... ele usa óculos.... eu tenho só quinze anos de vida. Muitas coisas estão acontecendo. Eu já começo a perceber que meu corpo já não é o mesmo de anos atrás. Porém, o que tem meu corpo, o que tem a certeza? pra tê-la vou comprar aquela revistinha. Lá, quem sabe, eu ache um horóscopo condizente com esses meus dias mais agitados.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O cara do postal

Olá, tudo bem?
tudo, e você?
vou bem!!
pegando este trem
que conduz à Luz.
que passa no Bráz.
que vem de Ferraz.

Zequinha vai à feira
no dia 25 do mês de março.
Vai comprar uns baratos.
Vai colocar a molecada pra trabalha
com as mãos.
Trampo com a arte
Trampo com cartão.
Trampo de cidadão.
Zequinha vai ajudando
os que vêm atrás,
pra que estes sejam um
dia os que hoje
pegam o trem
que vai à Luz
que conduz.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

molecada

toque a bola, moleque
toque a pipa,
passe a linha
e alinha o golzinho,
vamos fazer brincar nesta rua
crua.

mudo mundo

E o mundo,

O que é este globo?

Uma desgraça

Para um pão meio sem graça

Uma migalha

Para os que precisam

De um caminhão.

E você,

Um egoísta,

Um moralista,

Um polícia,

Que é ladrão?

E nós

Palhaços?

Seres ordinários?

Que acordam às seis

Para ganhar a solidão

Como forma de gratidão?

E todos nós,

Absurdos e cegos,

Alienados ou abusivos,

Ninguéns?

Seres sem nomes

com problemas sem soluções?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Prateleira de ideias.

hoje a prateleira quebrou,
as ideias estão no chão,
as letras, avoadas, correm soltas
neste piso frio.

João disse-me coisas a respeito de sua família,
pôs-se de forma delirante seu discurso,
relatou-me o sofrimento vivido em sua terra natal.
Homem bom, pensei!
Tomei a estória de prateleira quebrada, porque algo
me fez lembrar uma prateleira quebrada, ideias ao chão.

A história de João remeteu-me à miha infância,
ele dizia exatamente as coisas que aconteceram,
que nos devoram. Disse. Parafraseou um trovador, um repentista,
um sonhador. Os versos rimavam-se. Incrível, pensei.

A meninice de João sendo contada em versos, em que as rimas
eram alternadas. Ricas ora. Pobre a vida inteira.
A prateleira foi quebrada. João não pode ordenar suas canções feitas outrora, ele foi molestado
pelo ódio. João foi usurpado. Ele disse que, certa vez, desejou morrer. Falou que não guarda mágoas. Porém, hoje, insiste em reconstruir sua prateleira, colocar nesta todas as suas ideias.
Este moço, João, quer dizer ao mundo. João quer escrever.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

um dia inteiro

às quatro levantava, fazia a ablução, naturalmente.
às seis estava na rua Cheiro de Maria,
às oito colocava a última xícara na mesa
às dez tirava a mesa e, terminada esta sessão, dava banho nas louças
de Dona Vitória,
às doze horas a fome estava na mesa dos patrões
às quatorze a louça do almoço tomava um banho de carinho.

Teresa, às dezoito, estava no ponto, simulava, mentalmente, o amanhã.
às vinte horas estava a uma hora de casa.
No entanto, o ônibus quebrou!
o ônibus quebrou Teresa`
às vinte e duas estava no seu cemitério, sua cama de dormir,
cama de dormir com Pedro,
este roçava nela
e ela não o negava por inteiro,
colocava metade que era dele na metade que era dela.

Poemeto oxítono

Mãe, traz açaí do Pará!!

Poemeto erótico

Use a cabeça
para colocar
a camisinha.

Poemeto ao mano da periferia

Eu


estoU


tão



longe


da







Grande

CIDADE.

Poemento oximoro

Esta galinha é frígida!!

Poemeto de um fazendeiro infeliz

Um veado comeu minha galinha.

Poemeto a Descartes

Meta o seu discurso
no método da vida.

POEMETO DA FÉ

Agradeço a São José
pela sílaba tônica
perdida nessas linhas
insepa ra das.

POEMETO NASAL

NÃO PONHA A MÃO AÍ, NÃO!

Poemeto ideológico

um
Partido
Trabalha.

sábado, 24 de abril de 2010

fôlego

USE SOMENTE

O SOM QUE SAI

DO PULMÃO

RIMA SEM SOM

um dia,
meio-dia,
sapo pia,
minhoca
chia.

milho
poca
na rua
do meio-dia
pia
pia
poca.

rodovia

existe uma via
que se chama
ciclovia.