um dia, sempre, deparamo-nos
com as portas fechadas,
pessoas fechadas,
coisas fechadas,
insuportavelmente lacradas,
a vida lacrada.
um dia, naquele trabalho,
tudo lacrado, as saídas
de emergência tapadas,
coisas tapadas,
nós, tapados, subíamos a
escada, que dava entrada àquela grande sala do futuro,
gritávamos para a vida parar na ponta,
esperarmo-nos, com paciência, em qualquer degrau.
porém, aguda e veroz, não nos ouvindo
aproximávamo-nos da velocidade.
Nós nos repartimos mesmo nessas coisas,
estúpidas e valentes, um querendo,
um não querendo,
somos coisas nesta grande room do nada,
nesta fera que é a própria modernidade,
nesta estupidez que é sempre objeto desejo e
pessoal, vencer.
A gente se cria nesta mata, irrigada pelo concreto
desigual, pela crespidão dos dias forazes, dos dias
transmutados em furacões, transformados em pneus
automáticos, somos o ruído do ventilador amaldiçoado.