quarta-feira, 14 de outubro de 2015

sujeito determinado

Sempre estar a caminho
do rio, que sempre me
é guia, lugar distante 
da grande ilha
Sempre estar triste
com essas coisas
que aqui existem
a fome, a dor,
e o rio mal-cheiroso lá fora
que ousa a me questionar
a me ousar que não vejo
nada além dessa longa frieza
do rio mal-cheirosa na porta
de dona cheirosa, rosa, de dona zá.

domingo, 26 de abril de 2015

A caminho do amor

O homem cria
em meio ao inusitado
o estado de amor
o estar amor.

O homem enraiza-se
apaixona-se
ama-a.

O homem cria vínculo
desvincula causas
transparecem-se
motivos.

Ele desperdiça verdades
comunga as inverdades
desfaz as duas
sem motivo.

Ele ama de verdade
na semana
na cama
na esquina, à espera
de algo.

O homem recria a existência
insiste nela, deixa-a ser com ele
motor, insinua, ama
fuma na esquina.

Ele acredita em você,
lê poema, despi uma dama
a chama de mulher
egoísta, chama-a de dele

Com ela, saciam-se
de noites, e acordam
nas madrugadas
badalando uma criança
e amamentam o relógio.

O homem existe
por divindade
recria a vida
sobrevive a esta,
tem nesta incertezas,
abandona todas
após encontrar
a mulher de verdade.

Ama-a é amado,
vive a existência
sem deixando de
assistir aos percalços
descalços, pavimenta
os dias, dos dois,
juntos à beira
do caminho
de amar, amor.

sábado, 24 de janeiro de 2015

as meninas com fome

naquela escola
gélida e cálida
eu vi um bando
eu vi uma banda

não soava
não tocava
emudecia os famintos

naquela sala
gélida e cálida
calada sala
de fabricar
o nada

naquele lugar
as meninas
não comiam
não germinavam
não namoravam

naquele lugar
naquela coisa
de lugar
as meninas não comiam

eram levadas
a prostituirem-se
à escola do nada

as meninas não comiam
não se amamentavam
não amamentavam
não comiam nada

naquele insulto à vida
as meninas não cosiam
não amavam, não sonhavam
naquela escola escura do nada.