segunda-feira, 28 de novembro de 2011

amorzinho


Meu amor, escute o triste fomento das coisas, lá fora.


Tudo se perde,

Tudo voa,

Esquece.

Some,

Não se esqueça que tomamos forma juntos,

Assim, sorridentes e tristes,

Somos mais para um

Num sempre bem comum,



Meu amor, não se esqueça do lustre,

Ilustres dores de nós mesmos,

Amor, esqueça os outros, as coisas alheias aos outros,

O que perdura numa conversa, num desvio dos outros são bobagens,

Outras coisas dos outros não nos metem em pecado.

O que perdura, meu amor, são os nossos votos,

naquela cama molhada,

Cheia de você e de mim,

Cheia de coisas nossas

Um bem estar comum a todos os dias nossos,



Na tua preocupação com aquele telefonema

Na tua diária negociação com os seus delírios,

Na tua rotina, eu sei que te amo.

Em versos tão frágeis e fortes e tristes,

Tão mais nossos

Do que nossos corpos.

Tão mais quentes e intensos do que nossos lábios,

Beijos, eu te amo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

buracos da periferia

mulher levando menino à escola,
homem levantando muro,
muro de casa, sempre nova,
nova construção, projeto que se constrói
na mente do dono, desmente na mente do pedreiro,
dinheiro pouco, pouco espaço.
fluidez no tráfego e no tráfico,
fumo, fumaça, bebida e cachaça,
crianças defumadas, mal-amadas,
desmamadas, cremadas na extinção do saber ser, existir,
crer que tudo isso, sim, existe.

mulher buscando menino na escola,
este correndo, vadio, criança,
atravessa correndo, mulher que grita com este.
motos que passam, passam, fio a fio, empinadas, esganadas, desgraçadas,
caos que vêm para estabelecer a ordem do barulho.
criança chorando, mulher no chão,
de casa.
homem voltando do muro, do boteco, bêbado,
criança dormindo, finjindo dormir, mulher apanhando na cama,
apanhando do ronco do homem, da estupidez deste, da ignorância deste,
choro no travesseiro, escorrendo lágrima no travesseiro,
mulher sonhando com vida melhor.
melhor vida, melhorar de vida. mulher vivida.