domingo, 22 de maio de 2011

Ritual

Peço-lhe um pouco de paciência.
peço-lhe licença, meu senhor.
Sobretudo compaixão.
misericórdia é tudo que peço, imploro.

Senhor, agora, há algo contraditório em tudo que peço,
no que recebo não vejo graça.
Se moro longe, tenho de caminhar por horas,
se espero pelo ônibus, se espero pela demora deste,
se com ele me descabelo, brigo, antes xingo, quero descontar
minha fortuna de animal em alguém.
Se esse alguém quer do mesmo modo desferir em mim o que
tenho por ele. Não o sendo culpado. Nem eu nem ele.

O que tenho a lhe dizer cabe na palma do meu sofrimento.
Este a cada dia mais jovial e eu com meu corpo nele
a cada segundo mais envelhecido, esquecido.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

loucos somos muitos

A estrada dividida desse tédio.
Poste, ponte, viaduto algum que não me segure
nem se encarregue de caminho trazer a mim.

Parado, intacto no meio à evasão.
Divisas, coisas que passam por aqui e por nós.
Louco detento sentimentos, expondo frases,
compelindo amigos, tentando fragmentar ideias.

Porém, não se ilude. Faz do contrário o mais
óbvio para si, que não é estar contra
àqueles que contra estão indo.

Vai mesmo ao infalível mistério
de sortear o que com uma palavra
pode ser remetida por um não.
Quando este pode ainda ser evitado.
Não o evitaram de questionar e contraído
e contrariado respondeu. Não posso.

Por hoje, não. Por amanhã também, não.
A diferença que se estabelece é que existe
realmente coisas e formas diferentes.
Sendo elas assim,, faz-se necessário cada qual
ter uma forma e pensamento. Modo qualquer
que carregue sujeito algum a lugar.

Norte, sorte e consorte.
Talvez reza não seja tão louco quanto
parece.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O processo

Na cidade de São Paulo. Um homem dorme na rua. Uma criança na calçada chora ininterruptamente, a mãe lhe desfere tapas. E, no ponto, muita gente aflita se estressa com a demora do ônibus. Muitos esperam. Muitos recorrem ao relógio.
Porém, o motivo do descaso chega. A cena de abandono é visível. Pouco se faz para o maior colégio eleitoral. Pouco se vê algo sendo feito. Muitos motivos para se fazer a revolução por meio deste caos.
Neste maior cartório eleitoral, os nordestinos fazem a cena, a chance; são, portanto, a maioria. São castigados como maioria.
Retrato irresistível para futuro votos. Precariedades e mentiras. Má-educação, má-vontade, desgraçada sorte. Certeza de não tê-la.
Com isso, mal sabem que Anchieta iniciou educando São Paulo, pelos Guaianazes. Ele foi ao centro. Mas este não veio até ele.
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