Mundo, você não é vasto.
sempre me foi pasto de tudo
do meu sofrimento
da minha crise
comigo mesmo.
Mundo, você é meu território,
mas o é só pra mim?
Não me engane,
conheço-o há anos.
conheço-o desde 1986.
Você, mundo, sempre me pareceu aqui.
Nesta zona, neste campo fedido, neste espaço geometricamente
marcado por descasos.
Você, mundo, não foi nunca meu senhor.
nunca o será,
Porque meu senhor sempre foi meu pensamento,
e com este perco noites, bebo demais, chego tarde em casa,
brigo com a namorada,
deixo de ver pessoas, amigos, deixo até de passar mal no trem
só para ficar com ele em meus sentimentos das noites perdidas
em São Paulo.
Porém, mundo; voltando a você.
Fico com o meu descontentamento, com a minha infelicidade,
angústia e declaração de pesar.
Fico, portanto, somente aqui, pois aqui foi o lugar onde nasci;
Mundo, deixe-me alternar e consternar mais alguns verbetes engasgados,
salientados noutrora.
Deixe-me dizer coisas a mais, contar da minha infância,
das escolas por onde passei, o que disseram os professores,
as pessoas que laboravam naquele cant0, com aqueles instrumentos.
Insisto, não me pertube mais com essas histórias.
Agora quero contar a minha.
As razões que me fizeram ainda mais presente aqui.
Vamos lá, vou continuar.
sábado, 29 de janeiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Bosque perdido
um pássaro voa solitário no bosque perdido
fedido, voa sem rumo,
sozinho.
um pássaro ultrapassa a floresta seca
sem cor
sem tom
sem sombra.
Ele está sobrevoando o nada
nada
nada.
fedido, voa sem rumo,
sozinho.
um pássaro ultrapassa a floresta seca
sem cor
sem tom
sem sombra.
Ele está sobrevoando o nada
nada
nada.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
troca de ideias
fazendo esse riso
no rio de todos os dias,
banhando esta face,
na rua lá fora,
contando gotas
chorando lágrimas
em face a esse desejo.
o que deseja?
fazer-se rir assim?
pra sempre?
reinventar os modos
ter com que ir
todo o dia
o dia inteiro,
ainda há o dia maduro pra sorrir?
compreende?
tudo no tato
de todos os olhos,
de todos os mundos,
neste famigerado dia,
todos os dias, reinventado.
Sempre
no rio de todos os dias,
banhando esta face,
na rua lá fora,
contando gotas
chorando lágrimas
em face a esse desejo.
o que deseja?
fazer-se rir assim?
pra sempre?
reinventar os modos
ter com que ir
todo o dia
o dia inteiro,
ainda há o dia maduro pra sorrir?
compreende?
tudo no tato
de todos os olhos,
de todos os mundos,
neste famigerado dia,
todos os dias, reinventado.
Sempre
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
na trilha do trilho
o trem que treme no trilho
não tilha no truque
de permanecer no batuque.
o trem que trilha descarrila
na fila do fim do dia,
não batuca,
não dança,
não cutuca.
trem que treme na fila do fim do dia,
descarrila,
descarrila,
descaminha.
não tilha no truque
de permanecer no batuque.
o trem que trilha descarrila
na fila do fim do dia,
não batuca,
não dança,
não cutuca.
trem que treme na fila do fim do dia,
descarrila,
descarrila,
descaminha.
domingo, 16 de janeiro de 2011
PERIFOLOGIA
Ontem falaram mal daqui.
Disseram deste lugar.
Mal chegaram e meteram-se a tagarelar.
Aqui, sei, um inferno dos descasos.
Um abuso de nós mesmos.
Porém mesmos nós,
nós sempre diferente de nós mesmos.
Ontem disseram de nós,
provocaram-nos.
Excomungaram-nos,
Ontem o desprezo se verteu nos olhares.
Nós distantes e tão pertos e sós.
Disseram deste lugar.
Mal chegaram e meteram-se a tagarelar.
Aqui, sei, um inferno dos descasos.
Um abuso de nós mesmos.
Porém mesmos nós,
nós sempre diferente de nós mesmos.
Ontem disseram de nós,
provocaram-nos.
Excomungaram-nos,
Ontem o desprezo se verteu nos olhares.
Nós distantes e tão pertos e sós.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Por uma linguagem
A linguagem escorre mansa na periferia dos mortos.
Escorre lenta, mórbida, torta e sem rumo.
Escorre lenta, mórbida, torta e sem rumo.
passagem
volto constantemente aos mesmos dias
fragmentos da vida
encontram-se perdidos
nas estações e caminhos por onde percorro.
volto todos os dias dos mesmos dias
das mesmas vidas
dos mesmos pesadelos,
insisto, por um instante, não querê-los.
porém, estou novamente aberto aos mesmos
dias, isso inspira uma fábrica de monotonia,
de absurdos gestos das coisas de sempre.
É então sempre a mesma agonia.
De dia água fria
de noite, noite fria.
fragmentos da vida
encontram-se perdidos
nas estações e caminhos por onde percorro.
volto todos os dias dos mesmos dias
das mesmas vidas
dos mesmos pesadelos,
insisto, por um instante, não querê-los.
porém, estou novamente aberto aos mesmos
dias, isso inspira uma fábrica de monotonia,
de absurdos gestos das coisas de sempre.
É então sempre a mesma agonia.
De dia água fria
de noite, noite fria.
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