quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

literatura da rua

hoje não tem escola
não tem aula vaga
professor substituto
nem prostituta na sala

foram, todos, dispensados
uns sem mãe, pai preso
sem família
sem bolsa
sem bolso na calça

moram distantes do centro
estão na rua, lá fora
dispensados pela diretora
que por ora
não se compromete
não se intromete
não mete
e não chora.

Estão no asfalto,
sem livro algum que os carregue
durante a vida,
sem metáfora pela manhã,
engravidando-se no ócio da tarde.

Estão sendo sujados
estão excluídos,
são submanos,
são humanos
e não veem ninguém.
nem mãe nem pai
nem metas.

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