Diriam, perguntariam a mim.
o que é a vida, meu caro?
é um prato sujo, respoderia,
na viela fedida, fodida,
no rio empodrecido
amanhecido,
é um esgoto a céu aberto
esperando mais um transeunte morto,
podre e esquecido.
rio fétido, crépido,
estúpido.
um oceano de nojeiras,
coisas horríveis que se estapeiam
no final das tardes de domingo,
um tapa no bar, na entrada da casa,
na rotina de querer amar,
no sábado de jogo,
no colchão da vida
na rua, na esquina, na quitanda
e na calçada esguia.
tudo impuro, imperfeito, indigesto,
esse é o aceno para o que é a vida,
um buzão lotado,
amargo, vadio,
fedido e suado, naquele meio de tarde.
latida e miada,
qual piada nos tentará sorrir,
desfilar, convencer, irritar?
um dia a caminho da biblioteca,
mais uma vez o cartão de empréstimo
não funcionou.
o que faço, o que sou, o que são
as coisas e respostas para isso.
é o gato maltrato, odiado, envelhecido.
tudo isto uma sentença com ar
que cada leitura dá vira-se poesia,
melodia, ode, uma estrofe, um verso
totalmente perdido, iludido.
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