a gente caminhando,
indo pro mar,
pensando nessa brisa
e no que lá vamos encontrar,
a gente nessa viagem
nessa brisa
não à maconha,
só pensamento solto.
coisas nossas nessa ida
uma vadiagem nossa
minha e deles
nossa caminhada
discreto sentimento,
pensamento na Orminda
na Lisa que em casa sempre fica
cosendo a vida nossa
nas bocas de outrens.
indo pro mar
sem linguagem carregada,
mania monossilábica
interessante fragmento do olhar
paisagem fora do carro
que nos consome
nos divide
faz-nos pensar
ainda mais em Lisa,
em Orminda,
ela dormindo no sofá
com a cabeça em nós,
e o motorista bebe?
usa drogas, dormiu direito?
antes de ir.
no mar, a Line está
tão linda, pena que meu
chevett está no seu Lino.
no limbo limpo
dos questionamentos dele
para comigo,
sempre me repreendendo,
pra eu ir fazer as coisas certas
parece pai, me olha
aperta um parafuso,
ajusta o vazamento do motor,
parece vedar a mim e ao motor,
diz a mim, "você tem que ir
pra faculdade".
fala do meu linguajar,
rejeita alguns gestos meus,
gosta de mim,
fala o pontual,
me veste com os olhos,
põe-me na chave de fenda
parece me ajustar
às coisas que gostaria
que fizesse.
Lana sempre me olha,
parece me conceber
como irmão,
me junta com a Line,
nos faz homem e mulher
juntos na inseparável
tortura, torna-nos
amante nessa areia branca,
nessa formiga,
na água salgada, que respinga,
que vento traz e faz voltar em vento.
Line mal sabe que só
quero ver o mar,
não quero ter com ela
beijos, nada que o libido
não queira,
quero ficar aqui,
sempre a caminho do mar.
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