quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

um lugar

água salgada
velho na calçada,
na sala, esperando
transeunte a cavalo, a pé
ou montado em carro.

homem de idade avançada
vendo o futuro o cegar pela
madrugada quieta dos satélites
sonâmbulos pela poeira inquieta.

lugar refinado, mulher nobre enterrada
elevada à condição do sempre existir,
homem espreitando a vida de manhã, à tarde e pela
vida toda.

menina olhando moço jovem
montando a cavalo,
vendo-o simples na sua pequeneza de existir
no semiárido sertão do sem água.
dos sem luz
dos postes que não iluminam, nem guiam,
dos fios que desfiam a vida toda
a todo custo, ao custo do moço, da moça, do homem, da nobre senhora.

este é sempre o lugar,
é sempre o sertão,
algo esquecido na existência pluvial.

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