terça-feira, 22 de abril de 2014

a gente vai vivendo

e bate uma saudade da infância
das coisas que fomos, 
da gente cantando no bar
ensaiando a folia da vida
rindo à toa de martinho
rindo à vida sofrida
o nosso sofrimento
um sofrimento sem leitura,
marcado com corpos
baleados, tiros, homem 
no bar, homem sem dente
mulher trepando com outro
no muro,
carro do iml
carro da polícia
carro do bandido
do armado.

a gente sofre por estações,
vai torcendo pra que tudo 
dê certo,
pra para de chover,
reza para Nossa Senhora
pra telha não cair,
torce para o rio não encher,
reza pra não ver a enchente.
pra não ver a certidão de 
nascimento boiando na
água fétida.

resumo da história da vida
da gente,
reza pra não apanhar na rua
reza pra beijar na boca
reza por um all-star
pula o muro
grita com a vida.

e vai sorrindo 
com toda essa
alegria que é viver
poderia ter sido 
menos cruel a vida,
mas mansa
menos densa
e nebulosa,
mais amigável,
com céu azul sempre,

mas ele nem sempre
está azul pra todos.

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